domingo, 2 de março de 2014

"PEREGRINOS OS PÉS" DE ALESSANDRA (ROPRE) CUNHA EM JUIZ DE FORA/MG

4 comentários:

  1. Pinturas Acrílica sobre tela sem chassis e sem moldura.
    14 imagens executadas em janeiro de 2014 de várias dimensões (listadas abaixo).
    Título da série: “Peregrinos – Os pés”
    Peregrinar é por tradição uma ação cristã, mas sabe-se que antes de ser consagrada pelos religiosos do cristianismo, este ato já era praticado em culturas pagas, quando pessoas caminhavam longas distancias para ver o Deus Sol “morrer” no mar e “ressuscitar” no dia seguinte.
    Em uma noite do mês de agosto de 2013, sai de casa para caminhar até Romaria, uma cidade localizada a cerca de 90 km de Uberlândia, e, que, recebe milhares de peregrinos demonstrando sua fé e devoção. Mesmo sem motivos religiosos, quis testar minha fé em mim mesma. Caminhei por doze horas, em uma noite negra ao extremo, onde as estrelas iluminavam, indicavam e caiam.
    Ao longo da rodovia, os romeiros recebem apoio de pessoas, geralmente, católicos, que montam, na margem da BR, barracas com cadeiras, bebidas e alimentos para os viajantes que passam. Retirei meus tênis, que já estavam apertados devido a grande quantidade de bolhas nos pés, em uma destas tendas, e um rapaz se sentou em uma cadeira em minha frente e disse: “___Não se preocupe, vou cuidar de seus pés.” Pode parecer simples, mas, comoveu-me a preocupação e o carinho de um garoto disposto a massagear e furar as bolhas dos pés de uma pessoa que ele nunca viu antes. Assim, foi possível perceber que mais importante que chegar ao destino, é ter apoio, alguém que te encoraje a seguir. Alguém que fure as bolhas dos seus pés, para que consiga caminhar mais alguns quilômetros. O contato com o outro é fundamental no percurso. E o contato é sempre o que desejo, assim como nas gravuras, imprimindo algo. Imprimi meus pés. Em algumas das pinturas, há monotipias dos meus pés, há desenhos de pessoas em pé. Isso faz referencia às bolhas, ou seja, às experiências, às dificuldades de percorrer os caminhos que escolhemos, e à força que ganhamos quando há algo almejado no horizonte. Há costurado em algumas pinturas, um fragmento de um cobertor xadrez que usei durante toda a infância e adolescência, mostrando a intenção de um retorno ao conforto, ao acalento.
    Livres, todas as pinturas foram elaboradas para se apresentar solta, sem moldura e sem chassis. É possível afixá-las nas paredes ou painéis utilizando apenas pregos (furando as extremidades superiores das pinturas).

    Artista: ROPRE

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    1. Excelente, Alessandra...Adorei!!! Sucesso, é tudo o que se pode esperar para essa mostra.

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