A mostra Geografia
Internas de Eni Ilis
reúne 23 desenhos
inéditos realizados com caneta
esferográfica sobre papel cartão, no espaço do CCLA - Centro de Ciências Letras
e Artes -, na rua Bernardino de Campos, 989 –
centro Campinas- SP.
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A abertura será em 1° de junho e a mostra seguirá até dia 23.
Curadoria de João Bosco.
Em Eni Ilis, percebemos que a
força de seu traçado e de suas linhas reside não na pressão desmedida do lápis,
como poderíamos pensar ao falarmos de força, mas, na delicadeza e no domínio
com que trabalha esta ferramenta tão pouco utilizada em tempos de computadores,
celulares, tablets, redes sociais. É neste suave controle, de uma disciplina
rigorosa, que sua linha flui leve, porém intensa, forte, em um desenho que
demonstra a sua segurança ao fazer. Seu desenho corre sem hesitar e se se
retém, em algum momento, é apenas para demonstrar de forma mais incisiva o que
já se sabe. Uma espécie de parada para reforçar o que se quer afirmar, como
quem diz: ei, é isto mesmo que você está vendo?! As linhas de Eni nos provocam
e conduzem para dentro de seu universo onírico, mitológico, fabuloso e por que
não dizer surreal? Constrói uma realidade suspensa, que nos faz questionar a
nossa própria realidade.
Ao longo da história da
humanidade e consequentemente da arte, dos gregos, aos egípcios, passando pelos
povos do oriente médio aos povos da Ásia, ou ainda seguindo a trilha deixada
pela cultura greco-romana; de Platão à Vasari; vários foram os autores que se
ocuparam e discorreram sobre a maravilha do ato de perceber e fazer arte, e
neste caso, o ato de desenhar. As conjecturas advindas desta ação, em geral,
eram consideradas, e ainda são de alguma maneira, como uma forma para se
materializar nosso entendimento do mundo. Basta para isto entendermos o desenho
como um canal ou meio para a construção de uma realidade possível, utópica por
vezes, mas, capaz de gerar conhecimento e transformar o mundo real. É conhecida
a ideia de Leonardo da Vinci que em seus escritos, avisa-nos que o desenho é
pertencente ao campo do mental, portanto, razão. Porém, sabemos hoje por meio
de autores contemporâneos e igualmente estudiosos deste assunto, que sua
complexidade em materialização se dá por caminhos nem sempre precisos. Como
chega até nós, como se configura e se materializa; se é por meio de sonhos, em
um mundo sutil e subconsciente, ou por auxílio de facilidades tecnológicas; ou
quem sabe, fruto de intensa procura e observação, embasado em sólidas
referências e por um estudo rigoroso da forma; há os que defendem uma concepção
metódica, por meio de regras e há também os que romperam com estes métodos
desde o modernismo, adotando para si a abolição total de regras a serem seguidas. Seja
como for, o trabalho de Ení revela muito mais de nosso mundo, mesmo quando
discute algo íntimo, pessoal. É que temos características universais, humanas,
dores, medos, amores, alegrias, tristezas, uma infinidade de sentimentos e
sensações. E ainda que Eni recorra apenas ao seu universo pessoal, quando fala
de si, fala de todos nós. Portanto, seu desenho se torna um exercício de
meditação e introspecção coletiva.
Guarulhos, 30 de dezembro de 2015
Alexandre Gomes Vilas Boas
Artista errante insistente